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Festança reúne religiosidade e cultura em Vila Bela

Neste ano, o evento ocorre até o dia 25, com cortejos, confraternização nas casas das famílias tradicionais, dança do congo, reza, alvorada e cerimônia de transmissão de posse dos novos festeiros.
Assessoria | SEC-MT

Dança do Congo - Foto por: GCom
Dança do Congo
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Religião, tradição e manifestações culturais movimentam a primeira capital de Mato Grosso durante os treze dias da Festança de Vila Bela da Santíssima Trindade. Celebrada há 200 anos, a festa é realizada sempre no mês de julho e homenageia os santos devotados na região. Neste ano, o evento ocorre até o dia 25, com cortejos, confraternização nas casas das famílias tradicionais, dança do congo, reza, alvorada e cerimônia de transmissão de posse dos novos festeiros.

Festeiro da Irmandade do Glorioso São Benedito e organizador da festa, Nazário Frazão de Almeida conta que um dos momentos mais emocionantes da festança ocorre nesta terça-feira (19.07), quando os santos deixam as casas dos festeiros atuais e vão para as residências dos novos. A transmissão de posse é feita em uma cerimônia tradicional, com os festeiros escoltados por dançarinos do Congo ao som das canções de adeus que levam a população às lágrimas. “Todo mundo se emociona muito. Passamos o ano inteiro vivendo a festa, com os santos nas nossas casas, e esta é a hora da despedida”.

A festa, que reúne as celebrações aos diferentes santos da região, tem a programação dividida para homenagear cada santidade. Entre os dias 13 e 17, a festança comemorou o Divino Espírito Santo. De 17 até 19 o santo celebrado é o Glorioso São Benedito. Entre 20 e 21 será a vez da Mãe de Deus. Dias 23 e 24 será a vez do Padroeiro de Vila Bela da Santíssima Trindade as Três Pessoas da Santíssima Trindade. Ao final, no dia 25, a comemoração volta com o Glorioso São Benedito centralizando a cerimônia na casa da rainha atual, que entrega a imagem do santo e sua mala para a nova rainha. Esta por sua vez é seguida em cortejo até a nova residência da santidade.

Este ano a festa movimentou a cidade, com presença marcante dos moradores da região e turistas de todo Brasil. O festeiro Nazário conta que pelo menos cinco mil pessoas prestigiaram a festa, e aproveitam para conhecer as belezas naturais de Vila Bela. A festança tem o apoio da Secretaria de Estado de Cultura (SEC), que contribuiu com a infraestrutura e figurinos.

Festança de Vila Bela

Quando Vila Bela era Capital do Estado, as festas eram realizadas em diferentes datas definidas pelo calendário religioso. A festança originou-se com a transferência da Capital para Cuiabá. Havia predominância da religião católica na região, mas o padre ia até Vila Bela apenas uma vez ao ano para celebrar batizados, crismas, casamentos e a missas dos santos. Dessa forma, a população sentiu a necessidade de concentrar todas as festas no mesmo período.

Além da marcante religiosidade, a festança também é caracterizada pelas apresentações de danças do Congo e do Chorado, que surgiram em Vila Bela da Santíssima Trindade a partir da chegada dos Capitães Generais.

O Chorado é uma dança apresentada apenas por mulheres. Com vestimentas coloridas, elas entoam cantos tradicionais africanos e da região enquanto equilibram canjinjin sobre as cabeças. O canjinjin é a bebida mais tradicional feita na cidade. Segundo a tradição, as escravas dançavam para agradar os senhores, para que estes não castigassem duramente os escravos.

A dança do Congo é uma encenação com reis e embaixadores representados por dois reinos, que travam uma luta pelo poder. A dança manifesta ainda a resistência dos negros que ficaram no município mesmo com a transferência da Capital para Cuiabá, além de homenagear santos da região.

Para mais informações sobre a programação e os festeiros, acesse a página da Festança Vila Bela