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Márcio Aurélio volta às origens ao expor trabalhos em Chapada

Assessoria | SEC-MT

As obras de Marcio Aurélio trazem um olhar bastante peculiar e carinhos para o bioma cerrado - Foto por: Divulgação
As obras de Marcio Aurélio trazem um olhar bastante peculiar e carinhos para o bioma cerrado
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Exímio transformador do simples, em fabuloso, o artista plástico Márcio Aurélio ressignifica o descartável e ao captar o Cerrado, eterniza as memórias em telas e dá novos tons e cores a este cenário. Artista advindo do Cerrado Chapadense, retorna às origens e leva para Chapada dos Guimarães a exposição Reflexões Telúricas.

A mostra, em cartaz até o dia 20 de agosto, é projeto contemplado pelo edital de incentivo à produção e circulação artística, Circula MT. O Núcleo de Estudos e Organização da Mulher, localizada no antigo Hospital Frei Osvaldo abriga a exposição que pode ser visitada de terça-feira a domingo, das 13h às 18 horas.

A crítica de arte Aline Figueiredo, que também é curadora da mostra, aponta que o trabalho artístico de representação do Cerrado, denuncia a personalidade curiosa do artista, que se diverte ao se embrenhar pela mata. “Mário Aurélio captura o cerrado, entrando mesmo dentro da paisagem, com o domínio fitogeográfico do registro. Parece um desenhista expedicionário a traduzir também a memória utópica de um jardim do Éden”, destaca.

O mestre em Estudos de Cultura Contemporânea pela UFMT, Carlos Ferreira, também ressalta a relação fraternal do artista com este cenário que extrapola as telas e se estende a outros suportes, como as pedras que garimpa à beira dos rios.

“A obra de Márcio Aurélio dos Santos tem a essência do cerrado e se inscreve absorta como a vegetação contorcida. Desse que, para sobreviver, vai buscar água até três metros de profundidade. Por isso a sua obra tem um percurso sinuoso, lento, pachorrento, calmo e silencioso como também são as águas dali, que lava pedra por pedra sem fazer alarde, esculpindo escrituras pictóricas como se estivesse escrevendo uma carta em pergaminho, sem pressa de chegar ao destinatário”, diz.

O artista reafirma a declaração dos amigos. “Voltar a Chapada e revelar para ela como eu a vejo é uma coisa que sonhei nessa vida. Foi nesta cidade que a arte começou a fluir em mim. Aos seis anos, minha tia fez uma laje de rio, em um a roda e aí descobri o poder da transformação. Quando criança, fabricava brinquedos, subia em cabo de vassouras e voava. O cavalo criava asas. Acho que é o poder da criação exercitado desde criança. Foi nessa fase que descobri as cores da piçarra, tudo que faço hoje, faço desde o começo. Acho que meu objetivo é enaltecer a inutilidade das coisas. As transformo em oração”, arremata Marcio Aurélio.

Além das telas, o artista tem um precioso trabalho artístico a partir da manipulação de elementos da sociedade de consumo como latas, arames, pedaços de madeiras, plásticos e telhas entre outros. Recupera o lixo e o transforma em arte.

A exposição em Chapada conta com o apoio do Museu de Arte e Cultura Popular da UFMT e as prefeituras municipais de Cuiabá e Chapada dos Guimarães.

Serviço:

Reflexões Telúricas, em Chapada dos Guimarães

No NEOM - Núcleo de Estudos e Organização da Mulher
Rua Stº Antonio, 160 – Antigo Hospital Frei Osvaldo

Visitação de terça-feira a domingo, das 13h às 18h