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Museu Histórico de Mato Grosso é reaberto para visitação

Museu Histórico de Mato Grosso é reaberto para visitação
BEATRIZ SATURNINO

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Reaberto, o Museu Histórico de Mato Grosso agora faz parte novamente do roteiro cultural e turístico da capital mato-grossense. Lá está a história dos antigos capitães generais e governantes, dos períodos Provincial e Republicano, onde se encontram mobiliários, réplicas do homem bandeirante e suas vestimentas, e uma maquete da Cuiabá enquanto Colônia.

 

O lugar abriga relíquias em documentos e objetos, distribuídos em oito salas reservadas para o público, gratuitamente, de segunda a sexta-feira, das 13h ás 19h, que queira conhecer a bela e impressionante história de Mato Grosso.

 

“Sensação de dever cumprido é a de entregar para a sociedade mato-grossense o Museu Histórico, de reabrir as portas de um lugar que tem toda a nossa história política e administrativa. Este está sendo um ano para readquirir a credibilidade da pasta e resgatar diálogos com os produtores culturais e mostrar para a população um olhar diferente para a Secretaria de Estado de Cultura (SEC-MT), encerrando com uma Cantata de Natal, junto com a reabertura do Museu, em que eu considero como um presente, no mês de dezembro, possibilitando uma expectativa a mais para o próximo ano”, destacou a secretária da SEC-MT, Janete Gomes Riva, quanto a recuperação do Museu Histórico, uma de suas maiores ações, entregue último dia 20.

 

Trata-se de um Termo de Convênio no valor de pelo menos R$ 450 mil para o restauro e recuperação de todos os elementos que compõe o Museu, desde o acervo ao prédio, valorizando a memória local e trazendo inovações à área museal. Por exemplo, a respeito da cor, ao fazer um estudo dela foram identificadas oito camadas de cores. “E com o critério de camadas nós conseguimos pegar a segunda cor, que a gente identificou no prédio, que é essa apresentada, de azul lilás. A anterior era um azul claro, quase branco, e optamos pela segunda cor que já vinha com esse pigmento, provavelmente de origem importada, pois nesta época não se produzia cores desse tom no Brasil”, explicou o arquiteto responsável pela obra, Paulo Crispim.

 

O imponente prédio de estilo Neoclássico, cujas paredes identificam seu valor e história, datado de 1897, com o brasão da época da República, e o antigo nome como sendo o “Thesouro do Estado”, e que também abrigou a “Escola Modelo de Barão de Melgaço”, reserva um passeio no passado aos visitantes que ali terão a oportunidade de visualizar e conhecer momentos históricos de Mato Grosso.

 

Passeio pela história

 

Cada uma das salas conta um pouco da história do Estado. A pessoa quando entra logo à sua direita tem uma maquete da antiga cidade de Cuiabá, que se contrasta com a capital de hoje moderna e sendo transformada, onde o visitante não imagina que outrora era uma pequena Vila, composta por apenas três ruas. Na maquete mostra os caminhos percorridos pelos bandeirantes.

 

O visitante se depara também com outras salas que conta a Guerra do Paraguai, onde possui o brasão da província do Estado de Mato Grosso de 1823, na época do Império, e contém telas originais de Moacyr de Freitas, retratando a Assembléia Provincial, de 1835, pintadas em 2011. Para quem desconhece a figura de Marechal Cândido Mariano da Silva Rondon, no acervo existem fotografias e imagens em pintura que retratam quem foi este desbravador.

 

Além de armamento que pertenceu a uma das comitivas de Rondon, chamada de Comissão de Distensão das Linhas Telegráficas, com o ano de fabricação de 1894. Também uma rede de algodão usada por Rondon, quando visitava a sua cidade natal, Mimoso, distrito do município de Santo Antônio do Leverger, na casa de seu compadre Prudente de Queiroz.

 

Há um resumo da guerra do Paraguai, que percorre também pela Rusga. Cartas, documentos e as atas de fundação de Cuyabá e quando ela foi elevada a Villa Real do Senhor Bom Jesus do Cuyabá.

 

Encontra-se também o Grilhão, que é um objeto de suplício de escravos. É uma argola de ferro que se utilizava em punição, prendendo-os ao tronco. Além de livros de escritura de vendas de escravos, escrituras originais de doação, do ano de 1833, que agora, em dezembro, completa 180 anos. São do município de Nossa Senhora do Livramento, onde vivem remanescentes quilombolas.

 

Dentre os materiais usados em construção há chaves e dobradiças de ferro, ladrilhos hidráulicos em mosaico, que são os pisos das casas cuiabanas no século 19, telha de canal, que servia para cobertura de casas, no início do século 19 e 20, em Cuiabá. Além de tijolos usados no primeiro calçamento da praça da República, que é vizinha do prédio do Museu Histórico de Mato Grosso.

 

Em mobiliário, há cristaleira, sofá, aparador, mesas, cadeiras, espelho e peças em cristais e pratarias, da antiga residência dos governadores e do Palácio Alencastro, da década de 40, que permitem fazer uma viagem ao tempo. A mobília ficava onde se localiza o atual prédio da prefeitura. São móveis originados a maioria da Europa do final do século 19 para o inicio do 20, de pessoas que pensaram e governaram o Estado ao longo de décadas e séculos.

  

Fundação

  

O Museu Histórico de Mato Grosso ficou fechado por um ano e meio, desde julho de 2012, sendo ele criado em 20 de agosto de 1987, instalado originalmente no antigo prédio do Palácio da Instrução. Muitas obras são provenientes de doações, principalmente os retratos e as esculturas de Marechal Rondon.

 

Antigamente o acervo cultural estava espalhado por vários municípios de Mato Grosso. Decidiu-se então juntar esse acervo e centralizá-lo em Cuiabá.

 

No entanto, o prédio que abriga o Museu Histórico de Mato Grosso foi inaugurado em 29 de agosto de 1896 para funcionar a Thesouraria Provincial do Estado. Construído nos arredores da Praça da República, um dos principais endereços da capital, o prédio foi ao longo dos anos, sede de outros diversos órgãos, tais como: Biblioteca Pública Estadual, Departamento de Educação, Escola Barão de Melgaço e Secretaria de Turismo, até ser revitalizado e entregue à população em 21 de novembro de 2006, com apoio do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN).