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PAVILhÃO DAS ARTES
Traço Cia. de Teatro traz \'As três irmãs\' a Cuiabá

Por Assessoria/Sec-MT

Na próxima semana, nos dias 21 e 22, às 20h, o Pavilhão das Artes apresenta, juntamente com a Traço Cia de Teatro de Florianópolis/SC, a peça “As três irmãs”, adaptação do clássico texto do dramaturgo russo, Anton Tchékhov, a partir da técnica do clown. A peça foi contemplada com o Prêmio Funarte de Teatro Myriam Muniz de 2011 e chega à capital mato-grossense dentro do projeto Circulação Centro-Oeste. A entrada é gratuita.

No dia 22, além da apresentação noturna, haverá a oficina prática “O palhaço e o jogo”, com o grupo, também gratuitamente. O horário desta atividade será das 9 às 12h, no Pavilhão das Artes, localizado no andar superior do Palácio da Instrução, Centro. Ao todo são 16 vagas.

“As três irmãs”, escrita em 1900, discorre sobre o desejo das irmãs Olga, Maria e Irina de retornarem à cidade natal, Moscou, de onde saíram com o pai, general militar, há onze anos. Ainda mais importante que o plano dos acontecimentos, porém, é a exposição dos conflitos que se estabelecem entre o plano da vida material – o cotidiano da vida humana – e o plano espiritual – a eternidade. Assim, o conflito que se estabelece não é entre as personagens, mas entre dois diferentes tipos de vida: o das três irmãs, que buscam a verdade e a beleza e o do restante das personagens, que representam um tipo de viver vulgar e trivial, no qual rege somente o bom senso material.

É através da natureza das irmãs que é encontrado um elo como clown e a linguagem teatral que é a base técnica para o desenvolvimento da montagem. Assim como elas, o clown representa outro modo de vida, pautado na liberdade e na poesia. Em “As Três Irmãs”, entretanto, o que se vê não são três clowns em cena, mas três atrizes que buscam o estado de clown: um estado de afetividade, de poesia e de exposição das fragilidades. Neste caminho recorremos às deformações físicas típicas dos bufões que, assim como o nariz vermelho dos clowns , representam a somatização das deformações humanas interiores, das dores da humanidade.

No processo de montagem "Moscou" ganhou o nome de "Winston", o que foi mantido no espetáculo, pois, conforme os organizadores, não trabalham com as referências culturais e geográficas da Rússia.

“Nosso intuito é evidenciar as particularidades de cada irmã, sua maneira própria de ser e de se relacionar com o mundo, promovendo, enfim, o encontro entre estas figuras tão peculiares e as pessoas do público”, alega Marianne Consentino, que fez a livre adaptação de Tchékhov e uma pesquisa de mestrado em Prática Teatral pela ECA/USP. 

A Pesquisa

No ano 2000, Marianne Consentino e Débora de Matos, colegas de turma do Curso de Artes Cênicas da Udesc, tomam contato com o clown. Imediatamente elas se encantam com a linguagem e passam a pesquisar a técnica do clown a partir de experiências práticas e estudos teóricos. A afinidade de interesses estéticos e poéticos leva-as a desenvolverem vários trabalhos conjuntos, nos quais Marianne se encaminha naturalmente para a função de direção e Débora de atuação.

Em março de 2005, Marianne ingressava no Programa de Pós-Graduação em Prática Teatral da Universidade de São Paulo, com o projeto “A subjetividade do ator: contribuições da técnica do clown” sob a orientação do Prof. Dr. Armando Sérgio da Silva. Para o desenvolvimento prático da pesquisa, Marianne retorna a Florianópolis e a velha parceria com Débora. Somam-se a este encontro as atrizes Greice Miotello e Paula Bittencourt, unidas na paixão pelo clown.

Em janeiro de 2006 o grupo iniciava seus trabalhos, realizando encontros semanais nos quais desenvolvem um laboratório de treinamento de ator, coordenado por Marianne. A pesquisa parte do princípio deque o teatro pode ser uma possibilidade de encontro: o do ator com ele mesmo, com o parceiro de cena, com o orientador do trabalho e com o público.

No processo de treinamento, a técnica do clown configura-se como principal recurso metodológico, pois nesta linguagem o fundamental é a relação que o clown estabelece com seu universo interno e com o ambiente que o cerca.

Finalmente, após seis meses de treinamento, o grupo decide prosseguir a pesquisa a partir de um texto dramático e a obra escolhida é “As três irmãs”, de Tchékhov. Neste momento juntam-se à equipe os músicos Cassiano Vedana, Gabriel Junqueira e Mariella Murgia.

Embora a técnica do clown seja a base metodológica para o desenvolvimento desta pesquisa, ela não se configura como objetivo estético. O intuito é trazer à tona a exposição do ator através de uma linguagem poética, que permita o contato profundo e verdadeiro do artista consigo mesmo e com o outro. 

O Grupo

A Traço Cia de Teatro é uma associação sem fins lucrativos, criada em agosto de 2001. O grupo tornou-se de Utilidade Pública Municipal no ano de 2008, Utilidade Pública Estadual em 2012 e está afiliada a Federação Catarinense de Teatro (Fecate).

Em seus onze anos de trajetória artística, a técnica do palhaço configura-se como principal recurso pedagógico de formação, treinamento e criação. Ao lado da técnica do palhaço, investigações sobre a linguagem do teatro de rua e o teatro cômico popular colaboram às investigações cênicas da companhia. Instrumentalizam seus artistas para a criação de um repertório pessoal, preparando-os para uma relação livre, direta e potencialmente transformadora para com o público. Atualmente, além de “As três irmãs”, está em repertório com os espetáculos “Fulaninha e Dona Coisa” e “Estardalhaço”.

“As Três Irmãs” já foi apresentado pela companhia em vários eventos pelo Brasil. Entre eles: 1ª edição da Maratona Cultural de Florianópolis(2011); 54ª Festa – Festival Santista de Teatro (2012); VII Festival Latino Americano de Teatro de Grupo (2012) e Prêmio Myriam Muniz / Funarte 2011, cuja circulação começou em agosto deste ano. 

Ficha Técnica 
Adaptação e Direção: Marianne Consentino 
Elenco: Débora de Matos, Greice Miotello e Paula Bittencourt 
Músicos: Cassiano Vedana, Gabriel Junqueira Cabral e Mariella Murgia 
Concepção Musical: Cassiano Vedana, Gabriel Junqueira Cabral, Mariella Murgia e Neno Miranda 
Figurino e Cenografia: o grupo 
Iluminação: Ivo Godois 
Operador de Iluminação: Egon Seidler 
Produção: Harmônica Arte e Entretenimento 
Orientação de Pesquisa: Prof. Dr. Armando Sérgio da Silva e Prof. Dr. Valmor Nini Beltrame 
Classificação Etária: 14 anos 
Gênero: Tragicômico 

 


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